Tathiana Pedroso's Blog

pensamentos, educação e arte

Ação-Sombra 28 de agosto de 2009

Filed under: Pensamentos... — tathianacores @ 14:34

Grupo belga Rosas. Direção de  Anne Teresa De Keersmaeker.

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Cor de pele I 27 de agosto de 2009

Filed under: Uncategorized — tathianacores @ 20:21
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Sempre tive um sonho: ter uma caixa de lápis de cor de 36 cores (principalmente por causa do verde-água). Na faculdade comprei uma e me deliciei com todas as cores (com todo cuidado para o verde-água não gastar muito). Um dia, lendo a caixa do lápis, me deparei com os nomes das cores e fiquei horrorizada com o rosa claro que estava nomeado como “cor-de-pele”(hoje, já encontramos nas caixas o nome rosa pálido). Cor de pele é rosa?

Levei essa questão para a sala de aula. Brincamos de ELEFANTINHO COLORIDO!!!!

Cor-de-pele!

Para meu espanto, os alunos correram e agarraram nos meus braços e outros pegaram os lápis rosa pálido.

O que é pele? A sua pele tem cor? Será que conseguimos reproduzir em um papel a nossa cor de pele?

Começou uma incrível investigação: pegamos a canetinha preta, a marrom, a bege, a rosa e começamos a nos riscar.  Nenhuma se aproximava da cor da nossa pele. Também comparamos a nossa cor com a dos nossos amigos e percebemos que nenhuma era igual a outra. Que bom!

A investigação foi intensa! Fizemos lentes para investigar melhor as cores:

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Cor de pele II

Filed under: Uncategorized — tathianacores @ 20:04
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Misturamos muitas cores para a nossa pesquisa:

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O resultado da nossa reflexão foi um quadro com as mostras de todos os tons de pele que conseguimos reproduzir com tinta guache.

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Autorretrato 26 de agosto de 2009

Autorretratar-se com um desenho, com palavras, com vídeo, com o corpo.

Quem sou eu?

Olhar-se é difícil. Entrar em contato com os seus verdadeiros traços, pensamentos, formatos, requer força e disponibilidade para enfrentar-se.

Olhar-se, realmente, no espelho é ter a coragem de ir ao desencontro dos padrões de beleza impostos por nossa cultura. Somente assim podemos nos reconhecer e valorizar a nossa beleza.

Aqui compartilho uma linda experiência de uma aluna que realizou dois autorretratos. Começar com as descobertas pessoais sobre suas características foi importante para identificar descontentamentos com o próprio corpo. Propus uma observação longa das características do rosto, percebendo os traços, marcas, cores e distâncias. Após uma longa investigação, desenhamos nossos traços no papel. Será que ficou com nossas características?

Passamos para a próxima etapa: lembrar das nossas características e reproduzí-las novamente, agora, cegos! (de olhos vendados)

“No auto-retrato cego eu senti que estava fazendo uma

imagem que não tinha nada a ver comigo, mas depois

eu vi e entendi que com os olhos fechados nos

desenhamos realmente e com os olhos abertos

como gostaríamos de ser!”

L.S

auto-retrato-laura

autorretrato

auto-cego-laura

autorretrato cego

 

A Terceira perna

Filed under: Pensamentos... — tathianacores @ 15:23
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olho

“(…) Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa incontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.

Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia – a covardia é o que de mais novo me aconteceu, é a maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la -, na minha nova covardia, que é como acordar na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. (…)”

Clarice Lispector . A paixão segundo G.H.

 

Tribo Omo 14 de agosto de 2009

Filed under: Pensamentos... — tathianacores @ 17:31
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Cores no corpo para identificar uma identidade, uma cultura, valores. Podemos achar “coisa de outro mundo”, mas é o nosso! Para eles essa forma é a beleza. E para a nossa cultura?

tribo omo

tribo omo

“As tribos do Omo.

Aos confins da Etiópia, a séculos da modernidade, Hans Sylvester fotografou durante seis anos tribos onde homens, mulheres, crianças, velhos, são gênios de uma arte ancestral.

A seus pés, o rio do Omo, à cavalo sobre um triângulo Etiópia-Sudão-Quênia, o grande vale do Rift que se separa lentamente da África, uma região vulcânica que fornece uma imensa palheta de pigmentos, ocre vermelho, caulim branco, verde revestido, amarelo luminoso ou cinza das cinzas.

Eles têm o gênio da pintura, e o seus corpos de dois metros de altura é uma imensa tela. A força de sua arte está em três palavras: os dedos, a velocidade e a liberdade.

Desenham com as mãos abertas, com a extremidade das unhas, às vezes com um pedaço de madeira, um colmo, um caule esmagado. Gestos vivos, rápidos, espontâneos, além da infância, este movimento essencial que procuram os grandes mestres contemporâneos quando aprenderam muito e tentam esquecer tudo.

Apenas o desejo de se decorar, de seduzir, de ser bonito, um jogo e um prazer permanente. É suficinte para eles mergulharem os dedos na argila e, em dois minutos, sobre o peito, os seios, o pubis, as pernas, nasce nada menos que um Miro, um Picasso, um Pollock, um Tàpies, um Klee…” (tradução do francês – Sônia Skroski)

Quer mais ver mais? Clik aqui Nesse site você pode baixar todas as fotos. Uma mais linda que a outra!

 

As coisas

as coisas

As  coisas  têm  peso,

massa,

volume,

tamanho,

tempo,

forma,

cor,

posição,

textura,

duração,

densidade,

cheiro,

valor,

consistência,

profundidade,

contorno,

temperatura,

função,

aprência,

preço,

destino,

idade,

sentido.

As coisas não têm paz.

(Arnaldo Antunes in “as coisas” Ed. Iluminuras 1993)

As coisas não têm paz, estão em constante movimentação pelo mundo interno e externo. Temos o direito de conhecer, ver e sentir. Sentir, ver e conhecer nosso corpo, nossos pensamentos, nossas possibilidades, vontades,…

Conhecer-se pelo contorno, volume, idade, valor. Perceber nossa aparência, as características, marcas, linhas, cicatrizes.

Ver-se dentro de um grupo(sociedade)  e reconhecer seu valor, sua consistência, para que esse grupo consiga movimentar-se.

Ter consciência do seu cheiro, da sua densidade, dos seus gostos.

Então, usamos a arte como meio para mostrar ao mundo nossas  reflexões. E é através dela que a forma, a cor, a textura, a temperatura, o sentido estão presentes e abertos para o mundo.