Tathiana Pedroso's Blog

pensamentos, educação e arte

DISLEXIA 18 de fevereiro de 2013

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Quando eu estava na sétima série minha professora de PORTUGUÊS me chamou na sala dos professores para uma CONVERSA. Fiquei arrepiada porque sabia que essa matéria nunca foi a mais fácil para mim. Entrei na sala e lá estava a PROFESSORA com seu olhar superior embaixo de um cabelo vermelho. Ela estava com a minha REDAÇÃO na mão.  A conversa foi rápida e traumática. Ela havia me chamado para falar que eu era disléxica. Não sei se ela percebeu minha cara de PAVOR, meus olhos arregalados e paralisados em seus olhos que me encaravam.  Sim, a professora acabava de me dizer que minhas notas baixas eram por causa da tal DISLEXIA! O meu mundo no português havia se desmoronado…

 Mas o que é dislexia? Ela NÃO me explicou nada, nem chamou a minha mãe e nem me ENCAMINHOU para um profissional.

Segui minha vida no português com o PESO da tal dislexia. Eu era ruim na minha própria língua porque eu tinha uma doença… Cheguei a falar com a minha MÃE sobre isso, mas ela nunca havia escutado tal coisa e me deu um conselho: para de BRINCADEIRAS e estuda! Mas acabou me colocando em aulas particulares.

Depois desse diagnóstico NUNCA MAIS ESCREVI. Em algumas provas nem fazia a redação ou fazia de qualquer jeito para acabar logo com a tortura. Sempre escutava que a redação contava muitos pontos para entrar em uma UNIVERSIDADE pública, então já havia dentro de mim que eu deveria trabalhar muito para pagar meus estudos.

Não escrevia mais CARTAS para as amigas. Não escrevia mais no diário. Não escrevia nem bilhetinhos… Eu era doente!!

Entrei na faculdade com 24 ANOS, quando eu já estava ganhando bem e poderia PAGAR o curso. Foi quando a ideia de eu “ser” disléxica voltou a me ATORMENTAR. Mas acabei encontrando PROFESSORES incríveis que me mostraram técnicas e formas de escrever. Pesquisei sobre a DISLEXIA e vi que não era nada grave o que eu tinha, era só reler e reler o que eu havia escrito. VOLTEI a escrever. Como eu estava há tempos parada precisei de ajuda. Eu escrevia e mostrava para meu companheiro da época que me ajudava nas CORREÇÕES dos textos me explicando cada coisinha…  Outra técnica que me ajudou muito no reconhecimento da minha escrita foi a “ESCRITA CORRIDA” (já falei dela nesse post).

 Foi um trabalho duro até eu conseguir AUTONOMIA para voltar a escrever. Mas a recompensa um dia chegou!  A professora de voz pediu um TRABALHO de final de ano escrito.  Fiz a escrita corrida e depois organizei os escritos.  Ao entregar os trabalhos ela DISSERTOU sobre uma pessoa que havia feito o melhor trabalho que ela já havia recebido. Um trabalho muito bem escrito e com opiniões bem estruturadas. SIM! Era o meu trabalho. Nesse dia eu CHOREI. Havia ganhado uma GUERRA!

POR QUE eu escrevi esse texto? Porque eu estava escrevendo um texto sobre mosaico e TRAVEI na palavra AZULEJO. Não saía. Não por ignorância, trabalho com isso e essa palavra está no meu dicionário DIÁRIO. Mas é por causa dessa tal dislexia. A minha é leve e aprendi a perceber quando ela aparece. Principalmente em palavras que tenham o J e o S (hoje percebi que J com Z também atrapalha meu tico e teco). 

Fala para eu escrever JOSÉ! É um martírio! Sempre sai SOJÉ! E hoje azulejo saiu: AJULESO. Percebi que havia algo errado, mas demorou uns bons minutos para eu descobrir…

 

Para mais informações sobre dislexia:  http://www.dislexia.com.br/

 

para ouvir e se deliciar… 1 de setembro de 2011

Para quem gosta de ouvir boas histórias aqui está o link da página do

Itaú cultural com um acervo grande…

Para se deliciar!

Te dou minha palavra

 

As coisas 14 de agosto de 2009

as coisas

As  coisas  têm  peso,

massa,

volume,

tamanho,

tempo,

forma,

cor,

posição,

textura,

duração,

densidade,

cheiro,

valor,

consistência,

profundidade,

contorno,

temperatura,

função,

aprência,

preço,

destino,

idade,

sentido.

As coisas não têm paz.

(Arnaldo Antunes in “as coisas” Ed. Iluminuras 1993)

As coisas não têm paz, estão em constante movimentação pelo mundo interno e externo. Temos o direito de conhecer, ver e sentir. Sentir, ver e conhecer nosso corpo, nossos pensamentos, nossas possibilidades, vontades,…

Conhecer-se pelo contorno, volume, idade, valor. Perceber nossa aparência, as características, marcas, linhas, cicatrizes.

Ver-se dentro de um grupo(sociedade)  e reconhecer seu valor, sua consistência, para que esse grupo consiga movimentar-se.

Ter consciência do seu cheiro, da sua densidade, dos seus gostos.

Então, usamos a arte como meio para mostrar ao mundo nossas  reflexões. E é através dela que a forma, a cor, a textura, a temperatura, o sentido estão presentes e abertos para o mundo.