Tathiana Pedroso's Blog

pensamentos, educação e arte

30 de abril de 2013

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imagination

Quem conta um conto, respira um ponto

Regina Machado

A arte de contar histórias é uma paisagem com rios, colinas, vales e tesouros embaixo de árvores. Quero falar de um aspecto dessa paisagem que tem a ver com o que acontece muitas vezes quando converso com professores. Alguém me diz: – “Não sei contar histórias, por causa da minha timidez”. Ou: – “É só abrir um livro e ir contando”. Penso que essas falas não têm sentido. Qualquer pessoa pode descobrir um jeito de narrar, vivo e verdadeiro, se passear pela paisagem de uma história. As crianças perguntam ou fazem comentários? É seu modo de participar, não são interrupções. Faz parte da arte da narração saber acolher sua fala “sem perder o fio da meada”. Esse fio é a respiração do conto que nos guia até o fim. E como terminar? Existem muitos finais na tradição popular, é só procurar nos livros dos folcloristas brasileiros. “O que era de vidro quebrou-se, o que era de papel molhou-se, entrou por uma porta, saiu pela outra, o rei meu senhor que lhe conte outra”. E outros que podemos inventar, com estribilhos, um livro que se fecha lentamente, uma pergunta no ar, uma dança que fazemos juntos. É como se guardássemos aquele momento precioso de um modo especial, recolhendo as palavras que acabamos de pronunciar. Para que as crianças saibam que de novo podemos abri-lo, curiosos: que paisagem vamos visitar na próxima história? Assim cultivamos o maior de todos os segredos, um tesouro escondido nas profundezas da paisagem dos contos: quando percorremos uma boa história, passeamos pelos tesouros da nossa paisagem interior. Então ouviremos, caminhando pela história adentro, a nossa verdadeira voz. Mais do que nunca, hoje em dia, precisamos de vozes verdadeiras, que entoem para nossas crianças a cadência universal dos contos tradicionais, sábio sonho de um mundo melhor.

Regina Machado é Professora Doutora da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo)

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DISLEXIA 18 de fevereiro de 2013

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Quando eu estava na sétima série minha professora de PORTUGUÊS me chamou na sala dos professores para uma CONVERSA. Fiquei arrepiada porque sabia que essa matéria nunca foi a mais fácil para mim. Entrei na sala e lá estava a PROFESSORA com seu olhar superior embaixo de um cabelo vermelho. Ela estava com a minha REDAÇÃO na mão.  A conversa foi rápida e traumática. Ela havia me chamado para falar que eu era disléxica. Não sei se ela percebeu minha cara de PAVOR, meus olhos arregalados e paralisados em seus olhos que me encaravam.  Sim, a professora acabava de me dizer que minhas notas baixas eram por causa da tal DISLEXIA! O meu mundo no português havia se desmoronado…

 Mas o que é dislexia? Ela NÃO me explicou nada, nem chamou a minha mãe e nem me ENCAMINHOU para um profissional.

Segui minha vida no português com o PESO da tal dislexia. Eu era ruim na minha própria língua porque eu tinha uma doença… Cheguei a falar com a minha MÃE sobre isso, mas ela nunca havia escutado tal coisa e me deu um conselho: para de BRINCADEIRAS e estuda! Mas acabou me colocando em aulas particulares.

Depois desse diagnóstico NUNCA MAIS ESCREVI. Em algumas provas nem fazia a redação ou fazia de qualquer jeito para acabar logo com a tortura. Sempre escutava que a redação contava muitos pontos para entrar em uma UNIVERSIDADE pública, então já havia dentro de mim que eu deveria trabalhar muito para pagar meus estudos.

Não escrevia mais CARTAS para as amigas. Não escrevia mais no diário. Não escrevia nem bilhetinhos… Eu era doente!!

Entrei na faculdade com 24 ANOS, quando eu já estava ganhando bem e poderia PAGAR o curso. Foi quando a ideia de eu “ser” disléxica voltou a me ATORMENTAR. Mas acabei encontrando PROFESSORES incríveis que me mostraram técnicas e formas de escrever. Pesquisei sobre a DISLEXIA e vi que não era nada grave o que eu tinha, era só reler e reler o que eu havia escrito. VOLTEI a escrever. Como eu estava há tempos parada precisei de ajuda. Eu escrevia e mostrava para meu companheiro da época que me ajudava nas CORREÇÕES dos textos me explicando cada coisinha…  Outra técnica que me ajudou muito no reconhecimento da minha escrita foi a “ESCRITA CORRIDA” (já falei dela nesse post).

 Foi um trabalho duro até eu conseguir AUTONOMIA para voltar a escrever. Mas a recompensa um dia chegou!  A professora de voz pediu um TRABALHO de final de ano escrito.  Fiz a escrita corrida e depois organizei os escritos.  Ao entregar os trabalhos ela DISSERTOU sobre uma pessoa que havia feito o melhor trabalho que ela já havia recebido. Um trabalho muito bem escrito e com opiniões bem estruturadas. SIM! Era o meu trabalho. Nesse dia eu CHOREI. Havia ganhado uma GUERRA!

POR QUE eu escrevi esse texto? Porque eu estava escrevendo um texto sobre mosaico e TRAVEI na palavra AZULEJO. Não saía. Não por ignorância, trabalho com isso e essa palavra está no meu dicionário DIÁRIO. Mas é por causa dessa tal dislexia. A minha é leve e aprendi a perceber quando ela aparece. Principalmente em palavras que tenham o J e o S (hoje percebi que J com Z também atrapalha meu tico e teco). 

Fala para eu escrever JOSÉ! É um martírio! Sempre sai SOJÉ! E hoje azulejo saiu: AJULESO. Percebi que havia algo errado, mas demorou uns bons minutos para eu descobrir…

 

Para mais informações sobre dislexia:  http://www.dislexia.com.br/

 

cada um é um… 29 de setembro de 2011

Educadores, vamos que vamos pensar, questionar e nunca parar!!!

Precisamos saber mais e mais. Precisamos entender que cada aluno é um!! Como podemos estimular os saberes pessoais?

Três coisas fomentaram esse post.

Uma é a entrevista do Criolo para a revista Trip de Setembro (Matéria aqui!) em queele fala muito sobre a educação no país. Estou admirando cada vez mais esse músico e “palavreiro”. Acabei de chegar do show dele com a sensação de que o mundo não está perdido em sonhos bobos. Temos Homens pensantes que nos mostram a pura realidade através da arte. O amor está no que ele faz e como ele faz! (Quem não conhece e quer conhecê-lo vale a pena:Escuta aqui e leia a reportagem). Uma clareza e uma paixão que me faz entender um pouco mais sobre nossa realidade. Na entrevista ele diz que não lê muito, não sabe tocar um instrumento, não é bom em matemática e não ia muito bem na escola. Mas na relação humana sempre foi ótimo, mas que isso não entra no currículo, não é mesmo?

A segunda questão veio de uma conversa com uma amiga. Ela me contou que seu filho não está querendo mais ir para a escola. Ele está no primeiro ano do ensino médio e já repetiu um ano por falta. Ela tenta de tudo (e ele também), mas a angústia dele por não ter nada que o agrade na instituição lhe traz dores no corpo, enjôo e náuseas. Prefere ficar em casa trabalhando com o que mais gosta: jogos de computador. O menino é gênio nisso, aos 16 anos já fez jogos e troca informações através de um blog com pessoas feras no assunto. Essa inteligência entra no currículo?

Sim, temos que questionar a máquina da educação. Mas a questão desse post está no foco do olhar do educador para cada ser que está em sua frente. As pessoas não são iguais e se fossem o mundo seria muito chato! Uma vez uma aluna de 13 anos escreveu sobre isso: “como eu iria falar dos meus sentimentos para outra pessoa se ela fosse igual a mim? Não teria graça porque ela sentiria a mesma coisa que eu!” Então por que tratar todos como se fossem o mesmo ser? Há quem goste de pintar, de matemática, de filosofia, música… Tudo bem! Vamos dar ferramentas para esses no caminho mais familiar para que ele construa seu percurso de pensamentos e nos faça ver coisas novas e produtivas!! Que fique claro que não digo que devemos dar somente filosofia para quem gosta de filosofia e deixar a matemática de lado porque ele não gosta! Falo de incentivar o ser para ver mais, sentir mais sobre o que lhe chega com mais amor e abertura!

Por fim, um exemplo bonito é esse vídeo que um amigo postou em uma rede social e veio ao encontro de todas essas questões. Todas conversaram dentro de mim de tal forma que necessitei, urgentemente, registrar esse pensamento…

Transformo uma frase da música do Criolo em pergunta:

O que te traz um gole de vida?

 

diários… 24 de setembro de 2011

      Nesses últimos três anos redescobri a importância de ter um diário.

    Diário é seu maior expositor dos pensamentos. Somente por registrar uma palavra, um desenho, ou rabisco, me parece que o inconsciênte torna-se consciênte! Trazer para a consciência questões que estão lá no quentinho, só esquentando seu corpo, é essencial para o caminho da vida! Sem contar que o diário é seu melhor amigo. Sabe de tudo! Timtim por timtim dos seus segredos, vontades e inquietações… Mesmo com o perigo de alguém pegar, ler e desvendar tudinho, não tem problema! Criamos códigos, línguas que só nós entendemos, não é mesmo?

     No primeiro post desse blog escrevi o poema Guardar de Antônio Cícero para ilustrar a função desse blog. Hoje vejo que sua função se concretizou! Guardo meus pensamentos e trabalhos com meus alunos e minhas histórias contadas e inventadas pelo mundo. Sua função é guardar os registros de uma história de amor e paixão pelo que faço e me lembrar desse amor avassalador…Isso é bom!!!

    Achei um vídeo do poema com a voz do autor. Agora vou ilustrar o que ilustrou! Também ouvir um poema com a voz do autor traz mais força para as palavras! 

     Em um dos cursos que eu ministro proponho um diário de bordo para os alunos. Um diário artístico! Apresentei todos os meus (o primeiro foi aos 12 anos) e também o diário de Frida Khalo. Li alguns acontecimentos da minha vida e conversamos muito sobre a importância do registro. Depois fizemos a capa com a nossa cara. A capa mais bonita de todas! Essa é a dica: escolher um caderno ou fazer uma capa para ele que nos apaixonaremos! Vai dar uma vontade danada de escrever nele toda vez, pode ter certeza!

     Alguns alunos me perguntaram se um diário tem que ser escrito todos os dias? Depende! Apesar do nome dizer que a escrita é diária, você pode estipular um dia da semana para ou até mesmo escrever quando precisar! Como o meu tempo é curto eu escrevo quando preciso! Quando o tempo era maior pra mim (estava na escola ainda) eu escrevia todos os dias. Eu tinha uma agenda da Pakalolo (uma marca em alta na época) que eu escrevia tudo o que tinha acontecido no dia e colava papel de bala que eu ganhava, bilhetinhos de amigos… Uma delícia! Encontem o seu tempo para a escrita e se divirta-se…

 

cores 12 de setembro de 2011

O que são cores primárias? Na escola, ainda no pré,

aprendi que eram: amarelo, azul e vermelho.

Durante a minha vida toda segui com essa ideia.

Na primeira aula de desenho na faculdade o tema

era cores primárias. E para meu espanto me deparo

com a cor magenta! Magenta? Cade o vermelho?

Magenta é um vermelho? Me senti enganada por toda minha vida.

Como uma professora fala pra alguém uma informação errônea?

Será culpa dos fabricantes de potes de tintas escolares que

não fazem o magenta, só o vermelho puro?

Coloquei no google e vi que muitos sites colocam as cores

primárias como aprendi. Procurando um pouco mais encontrei

um blog que enfoca a mesma questão e defende as cores primárias

como sendo o azul cian, amarelo limão e o vermelho magenta

(em determidada marca de tinta).

(http://artesarantes.com.br/dicas.php?id=100106044202&num=2)

Compartilho da vontade de especificarem qual vermelho, azul e amarelo

que são as cores primárias. Pode ser que no pré a criança não tenha a

bagagem para entender que as cores tem nome e sobrenome.

Mas no passar dos anos escolares, com mais maturidade, é necessário a realidade!

Sempre quando trabalho com cores primárias e secundárias com

meus alunos me espanto. 90% não sabem nem do vermelho, amarelo e azul

e os outros que sabem nunca ouviram falar no magenta (como eu um dia)!

Acredito como educadora que é necessário falar,

expor e ver as questões borbulhando nas cabecinhas de cada um.

Como um dia borbulhou em mim! Como é bom dar aula!

Uma vez a minha terapeuta me disse que me descobri no mundo

através das artes e é daí que vem a minha paixão por compartilhar essa sensação…

DELÍCIA!!!

 

 

encontramento 27 de agosto de 2011

Com muito orgulho sou a entrevistada do encontramento #3, um projeto da querida Emilie Andrade em seu blog (http://www.emilieandrade.blogspot.com/).

Me encontrei com essa mulher  em 2004 na faculdade e nossa parceria começou aí! Agradeço ao céu por essa oportunidade…Com ela conheci e aprendi muitas coisas e desde então minha vida se encheu de cores e sabores. Nada é por acaso e por isso digo e repito: somos uma dupla de duas! Duas mulheres em busca da palavra do mundo através das artes.

Vejam o trabalho lindo que ela faz no blog dela como atriz, como contadora de história e pesquisadora…Menina porreta que soube aproveitar todas as oportunidades que a vida lhe deixou na mão…Te admiro muito, nega!!!

 

 

exposição capacitação 42 6 de agosto de 2011

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(POR MOTIVOS INSTITUCIONAIS LOGO COLOCAREI OUTRO VÍDEO, EDITADO E BONITINHO. OBRIGADA)

 

Um trabalho bem realizado não é o esforço de uma só pessoa. Acredito no trabalho em grupo, na vivência de uma comunidade! Como educadora estou como fomentadora das vontades. Meu papel é aguçar a curiosidade e abrir o olhar de cada um para novas vivências… O aluno tem que estar aberto para receber essas informações e agir…Para crescer.

O educador sempre será um aluno. Nunca ninguém pode parar de estudar e de ter a vontade de conhecer…Somos agentes da descoberta, temos que ter forças para estimular e se abrir para cada aluno.

Acredito na educação da minha forma. Acredito que todos os dias que dou aula saio para uma guerra. Uma guerra contra o endurecimento e o emburrecimento das pessoas. Nosso sistema está caminhando cada vez mais para isso… E minha luta é pelos prazeres pessoais, pelas vontades pessoais dentro da consciência e valores pessoais.

Todo dia vou armada de flores para a sala de aula…

Agradeço aos alunos que entenderam que sou uma galinha e eles meus pintinhos, ao instituto profissionalizante BM&F pelo espaço e estrutura. À Marta, Ivete e todos que trabalham na BM&F por acreditarem no meu trabalho…