Tathiana Pedroso's Blog

pensamentos, educação e arte

ser ou não ser? 17 de março de 2012

Filed under: Arte educação — tathianacores @ 16:00
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       Acho lindo quando alguém fala que queria ser o que é hoje desde criança! Parei para pensar o que eu queria ser, mais uma vez (já fiz um post sobre meus quereres infantil, aqui!)!

      Morava com meus pais e irmãos em uma casa grande quando pequena. O quintal era enorme, praticamente do tamanho da casa! Nele chegamos a ter um saguí (meu pai era louco!), pássaros e vários cachorros! Eu e meus irmãos fazíamos a casa do cachorro a nossa, do jardim a nossa floresta e todo o espaço acimentado de nossa pista de corrida de velotrol. Em um belo dia minha mãe resolveu fazer um galpão para trabalhar. Durante um bom tempo as máquinas de costura tomaram conta do lugar. Não deixei o espaço. Ficava entre as máquinas querendo percorrer as linhas para seguir o seu destino. Queria costurar – fazer roupas para mim, para as bonecas, para o mundo! Mas só me deixavam experimentar retalhos nas linhas da máquina. Queria aprender e acabei não aprendendo como gostaria. Depois a oficina mudou de endereço. O galpão ficou vazio – prato cheio para a imaginação. Lugar  para guardar o não uso!

      Não sei como, mas apareceram cadeiras e mesas de escola. Logo, eu e meu irmão, fizemos do galpão nosso lugar de fazer lição de casa! Troquei a linda escrivaninha do meu quarto, a mesa da sala, pelo galpão! Apareceu até uma lousa enorme de giz! Dai começou a grande aventura de ser professora… Amigas ou primas em casa: brincar de escolinha. Se não tivesse, tudo bem, eu pegava meu irmão pra assistir as aulas,  fazer lição para eu corrigir e escrever bilhetes de parabéns!

     Quando cresci mais um pouquinho…Assim, um pouco menor do que hoje, me vi dentro de uma sala de aula! Não era como quando criança. Afinal, aulas de artes não tinham a mesma rotina de como eu brincava! Mas a paixão da brincadeira era a mesma! 

     Ontem foi a última aula de uma turma que acompanhei por quase oito meses no curso profissionalizante. Olhava para eles com o coração de amor. Como coração de uma mãe que deixará os filhos seguirem suas vidas sozinhos. Um grande passo para o caminho deles… Mas o coração aperta pensando se terão o melhor caminho possível que poderão conquistar! Apesar de não ser mãe, acredito que é um sentimento muito próximo de uma mãe quando o filho sai de casa, mas o de mãe é multiplicado por 3!

     Meu coração se enche de amor com cada lágrima, com cada palavra de carinho, com cada gesto! Amo muito meus pintinhos!! Sorte à todos!

     Um em especial me encheu os olhos. Um grande dançarino, um grande coração! Ao falar para ele: “vai fazer a sua arte e arrebenta! Não desiste, vai em frente!”, não aguentou segurar as lágrimas. Lágrimas de mais um artista no mundo!

      Quer mais? Brincadeira de criança é bom demais! Eu sou uma eterna brincante do mundo…Evoré!

LungTa feito pelos alunos com palavras do bem para o mundo!

 

diários… 24 de setembro de 2011

      Nesses últimos três anos redescobri a importância de ter um diário.

    Diário é seu maior expositor dos pensamentos. Somente por registrar uma palavra, um desenho, ou rabisco, me parece que o inconsciênte torna-se consciênte! Trazer para a consciência questões que estão lá no quentinho, só esquentando seu corpo, é essencial para o caminho da vida! Sem contar que o diário é seu melhor amigo. Sabe de tudo! Timtim por timtim dos seus segredos, vontades e inquietações… Mesmo com o perigo de alguém pegar, ler e desvendar tudinho, não tem problema! Criamos códigos, línguas que só nós entendemos, não é mesmo?

     No primeiro post desse blog escrevi o poema Guardar de Antônio Cícero para ilustrar a função desse blog. Hoje vejo que sua função se concretizou! Guardo meus pensamentos e trabalhos com meus alunos e minhas histórias contadas e inventadas pelo mundo. Sua função é guardar os registros de uma história de amor e paixão pelo que faço e me lembrar desse amor avassalador…Isso é bom!!!

    Achei um vídeo do poema com a voz do autor. Agora vou ilustrar o que ilustrou! Também ouvir um poema com a voz do autor traz mais força para as palavras! 

     Em um dos cursos que eu ministro proponho um diário de bordo para os alunos. Um diário artístico! Apresentei todos os meus (o primeiro foi aos 12 anos) e também o diário de Frida Khalo. Li alguns acontecimentos da minha vida e conversamos muito sobre a importância do registro. Depois fizemos a capa com a nossa cara. A capa mais bonita de todas! Essa é a dica: escolher um caderno ou fazer uma capa para ele que nos apaixonaremos! Vai dar uma vontade danada de escrever nele toda vez, pode ter certeza!

     Alguns alunos me perguntaram se um diário tem que ser escrito todos os dias? Depende! Apesar do nome dizer que a escrita é diária, você pode estipular um dia da semana para ou até mesmo escrever quando precisar! Como o meu tempo é curto eu escrevo quando preciso! Quando o tempo era maior pra mim (estava na escola ainda) eu escrevia todos os dias. Eu tinha uma agenda da Pakalolo (uma marca em alta na época) que eu escrevia tudo o que tinha acontecido no dia e colava papel de bala que eu ganhava, bilhetinhos de amigos… Uma delícia! Encontem o seu tempo para a escrita e se divirta-se…

 

arte não tem lugar… 23 de maio de 2011

Filed under: Pensamentos... — tathianacores @ 22:56
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TRABALHO DE LETICIA KAMADA

62º salão de abril de fortaleza

 

Era uma vez… 19 de dezembro de 2010

Era uma vez um corpo de 15, 17 anos. Com muitas marcas; nas pernas,nos braços, na barriga. Cada marca uma história. História de bicicleta, de cinta, de pipa, de gravidez, de travessuras…Algumas mais recentes, outras de um tempo que o corpo não se lembrava mais. O corpo ficou preocupado por não lembrar de tudo! Como eu posso esquecer de uma marca em mim? De tanta preocupação foi procurar um especialista em memórias do corpo. Fez um trabalho intenso! Completo. Conseguiu deitar e relaxar. Parou de pensar na correria do dia que lhe cansava as pernas, a mente e o estômago. Descansou tanto que pegou no sono! Um sono tranquilo de um bom aventureiro… Foi quando as lembranças voltaram. Cada instante, cor, cheiro, som. Ao acordar, não queria mais esquecer das suas marcas. Pegou um papel e desenhou cada parte de si que continha uma história. Preencheu com cor para lembrar de tudo. Tudinho. Nos mínimos detalhes…

 

O que você queria ser? 14 de junho de 2010

Filed under: Pensamentos... — tathianacores @ 23:59
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MOTORISTA DE CAMINHÃO, BAILARINA COM SAPATILHA DE PONTA, DANÇARINA DO PROGRAMADO SILVIO SANTOS, KARATECA DO SENHOR MIYAGUI, PROFESSORA, ORGANIZADORA DE PAPÉIS NO ESCRITÓRIO, A MOÇA QUE SORTEAVA AS CARTAS NOS PROGRAMAS (PARA FICAR NA CHUVA DE CARTAS), PATINADORA DO HOLIDAY ON ICE, VENDEDORA DE MINI-BATOM, DATILÓGRAFA,…

*Foto retirada do blog http://www.makeseafins.blogspot.com

 

As coisas 14 de agosto de 2009

as coisas

As  coisas  têm  peso,

massa,

volume,

tamanho,

tempo,

forma,

cor,

posição,

textura,

duração,

densidade,

cheiro,

valor,

consistência,

profundidade,

contorno,

temperatura,

função,

aprência,

preço,

destino,

idade,

sentido.

As coisas não têm paz.

(Arnaldo Antunes in “as coisas” Ed. Iluminuras 1993)

As coisas não têm paz, estão em constante movimentação pelo mundo interno e externo. Temos o direito de conhecer, ver e sentir. Sentir, ver e conhecer nosso corpo, nossos pensamentos, nossas possibilidades, vontades,…

Conhecer-se pelo contorno, volume, idade, valor. Perceber nossa aparência, as características, marcas, linhas, cicatrizes.

Ver-se dentro de um grupo(sociedade)  e reconhecer seu valor, sua consistência, para que esse grupo consiga movimentar-se.

Ter consciência do seu cheiro, da sua densidade, dos seus gostos.

Então, usamos a arte como meio para mostrar ao mundo nossas  reflexões. E é através dela que a forma, a cor, a textura, a temperatura, o sentido estão presentes e abertos para o mundo.